Sunday, June 28, 2009

Fotografia

"Como se cada beijo,
Fora de despedida
Minha Cloe, beijemo-nos, amando
Talvez que já nos toque
No ombro a mão, que chama
À barca que não vem senão vazia
E que no mesmo feixe
Ata o que mútuos fomos
E a alheia soma universal da vida"

Ricardo Reis
Odes

Friday, June 26, 2009

E tu, que queres ser quando for grande?

Quem perguntou “que queres ser quando fores grande?” ou já era muito grande, ou então era sádico. Gosto de acreditar que ele era sádico, só assim se percebe que por ironia do destino a pergunta tenha pegado e hoje todos tenhamos de conviver com ela.

“Que queres ser quando fores grande” está na moda. É claro que varia ligeiramente para o “que curso queres tirar?” só mesmo para evoluir para a questão “o que queres fazer depois do curso?”. Mas a maldade pura é mesmo o “e o que queres fazer agora que já acabaste o curso?”. Será que temos de ter sempre resposta para tudo?

Como se não bastasse ter sido severamente criticada quando dizia que queria ser professora, e condenada ao desemprego quando me lembrei que eu tinha jeito era para a advocacia, ter tido que decidir que queria ir para economia, e mais tarde que queria tirar o curso de direito, agora ainda tenho de decidir o que quero fazer com ele! Que chatos esses adultos masoquistas que fazem sempre as mesmas perguntas inevitáveis para as quais eu ainda não tenho resposta. Que aborrecimento esta necessidade constante de comprar coisas todas “essenciais” á minha sobrevivência!

Eu, aquele pirralho que ainda nem conseguiu reencontrar a junta de freguesia para ir buscar o cartão de eleitor pedido há quase quatro anos atrás (!), tenho agora que me fazer a vida. Eu, que critico a sociedade em que vivemos em que as crianças vivem com os pais até decidirem ser pais, tenho agora que dar o exemplo e descobrir o que me vai safar a vida.

Resultado: quero tirar um mestrado em Filosofia do Direito. Uns torcem o nariz, outros (como viram que o ser do contra deu asneira) fazem de conta que sim… E eu lá me candidatei a esta coisa que acho piada à espera de resolver a minha grande questão. E se tudo correr bem, vou adiar a questão, ou filosofar sobre ela, durante mais um ano.

Tuesday, June 09, 2009

I'll be there, I'll be around

Lisa Ekdahl

23rd of July, Cool Jazz Fest!

Monday, June 08, 2009

Homeless and Jobless

Today, as I was walking down the stairs for the last time, Henry asked me:

"- How does it feel to be Homeless and Jobless?"

Not even Bob could answer that...

Four years have passed...
I will miss it all!

Wednesday, June 03, 2009

Este é para ti

Precisamos de enfrentar demasiadas coisas. Queremos estar sempre em cima da jogada. E ao fim de contas, é tudo uma questão de coragem. E eu, durante quase dois meses não tive coragem. Escrever, mesmo disparates e coisas pouco pessoais, faz-me pensar. Escrever faz-me olhar para trás. Escrever exige de mim muito mais do que eu queria.

Mas eu gosto, eu gosto de me sentar ao computador de vez em quando e escrever uns disparates, eu gosto de partilhar sentimentos e aventuras, eu gosto de contar tudo aqueles de quem eu não sei nada. Gosto disto da blogosfera. E como disse a Joana, gosto dos comentários de todos aqueles que eu não conheço, mas que me fazem sentir um bocadinho melhor sempre que leio uma palavra de apoio. E por isso, este é para ti:

Não te vás embora, porque mesmo sem saber quem és eu riu, choro, fico feliz ou triste, identifico-me, e acima de tudo adoro ler o que escreves. Não te vás embora porque nós, meros leitores, precisamos de ti. Não te vás embora. Mesmo eu, uma leitora desnaturada que pouco escreve, e raramente comenta, gosto sempre de ler o que escreves, e sinto-me tantas vezes reconfortada pelas tuas palavras.
Mas, e se tens mesmo de ir (e como eu compreendo que às vezes as aventuras tenham de chegar ao fim) volta um dia e diz-nos por onde andas. Obrigada por tudo. A blogosfera vai sentir a tua falta.

Saturday, April 11, 2009

Hitchhiker's Guide To The Galaxy


First Broadcast on 8th March 1978. The amazing BBC radio programme. Don't Panic!

Wednesday, April 01, 2009

Foi assim.


Imagino-te sentada dentro do teu VW, parada no meio de uma praça (como no meu Cinema Paraíso!), rodeada de amigos que se reuniram para ver o teu filme. Ficas ali sentada a olhar para a tela, e como te deves ter rido quando me viste aparecer de calças brancas no teu funeral. Deves ter dito: “aquela é a minha neta, a de calças brancas!”. E toda a gente se riu contigo da minha infeliz escolha de vestimenta. Imagino-te a olhar para a tela e a pensares como eu é que eu conhecia toda aquela gente a quem dei beijos e abraços (e com alguns até tive longas conversas!), não fazias ideia que eu que sempre vivi longe tinha assim tão grandes conhecimentos familiares, só para depois te aperceberes que eu não fazia ideia de quem eram todos aqueles beijos e abraços. Educaste-me bem, tu que sabias sempre fazer sala.
Imagino-te a olhar para a tela e a perguntares-te porquê tanta conversa mórbida sobre quem está enterrado onde, mas depois começas tu a pensar, e também não fazes ideia. É um autentico quebra-cabeças. Um passatempo interessante. Um tique nervoso como outro qualquer! E só mesmo os teus amigos é que te conseguem esclarecer quem está onde, porque nós aqui em baixo ainda não conseguimos descobrir.
Imagino-te a olhar para a tela e a ficares confusa de como ainda se lembravam do que tinhas dito sobre “o que querias vestir no dia em que morresses”. Ficas confusa porque estas aí tão confortavelmente sentada que não percebes como é que nós cá em baixo estamos indignados com o facto de te terem vestido uma roupa diferente. Será que não percebem que já não és tu? E os teus amigos estão também confusos certamente (afinal de contas passaram todos pelo mesmo). Mas para que saibas, estavas muito bonita. É nesse momento que olho para ti, e imagino que ficas tu também surpreendida com o terem posto um terço na tua mão, nenhuma de nós as duas te conheceu muito religiosa. Mas quanto a isso, ninguém pareceu confuso nem supreendido.
Imagino-te a olhar para a tela e a veres como me fez confusão ter de te tocar assim fria, morta. E aí tentas explicar-me que já não és tu e que não faz diferença que eu nâo consiga dar-te beijos ou fazer-te festas, porque tu já não sentes. Eu percebi, e senti-me melhor.
Imagino-te a olhares para a tela e veres todas as flores sob a campa, e ficares feliz porque está tudo a acabar – já estavas cansada de tanta atenção, e nunca tiveste muita paciência para filmes. E está tudo bonito, e branquinho, e tu já estás no teu sítio.
E no fim de tudo, a última coisa que vês somos todos sentados à mesa do café Velasquez, exaustos depois de termos de te deixar.

Eu olho para ti e sorrio. Afinal, sou eu a única que sei que estás aí, sentada algures a ver este mesmo filme.

E no meu mundo, talvez não no teu,
o Tótó aparece só mesmo para olhar para cima e dizer:
“Alfredo, es belissimo!”