Sunday, February 18, 2007

Para acabar com todas as críticas!


Todos os visitantes do nosso bunker, de uma maneira ou outra, se vêm a cansar da maneira como organizamos as coisas por cá, e eu, como maneira de combater complexos de inferioridade ou uma ida ao psicólogo passo a explicar o que se passa aqui pelo bunker da canterburia!

Como a independência é um momento de grande complexidade, a cambada aqui de casa (constituída por três adolescentes irreverentes) decidiu que tinha de a viver com convicção! Como cambada de intelectuais que somos aqui em casa, e historiadores acima de tudo, decidimos que era preciso contribuirmos alguma coisa para o bem da humanidade. Sim, porque há que ver que se não for aos 20 anos que se pensa que é possível mudar o mundo, quando há-de ser? Portanto, transforma-mos o nosso bunker num autêntico laboratório. Apesar de ser uma experiência em principio altamente confidencial, sinto-me forçada a abrir mão de algumas informações.

A nossa primeira decisão foi a criação de um microclima. Não é de forma alguma porque ao fim de seis meses ainda não sabemos controlar o aquecimento, como pode ser suposto por alguns ignorantes, que vivemos neste calor intenso durante várias horas do dia! É importante estudar-se o aquecimento global, e que forma mais eficaz do que testarmos isso em laboratório? Os resultados até agora não têm sido nada maus...algumas doenças devido à súbita mudança de temperatura quando se saí do microclima, mas nada que não se resolva quando o aquecimento se tornar global!

Outra decisão importante foi a de finalmente ficarmos a perceber o motivo do grande fracasso da polícia secreta alemã. Sendo uma das polícias com o melhor sistema de recolha de informação do mundo, é curioso, no mínimo, como é que tal sistema pôde falhar. Como papel era demasiado caro, decidimos fazer a mesma experiência com roupa. Ora bem, a fotografia é uma boa ilustração do que aconteceu à policia alemã, com o excesso de informação recebido de uma forma súbita, ao fim de algum tempo, eles já não sabiam para onde é que se deveriam virar e resultou no caus! O estudo deixou os residentes muito mais informados quanto à questão.

Há, claro, mais experiências a decorrer a toda a hora, mas seria demais da minha parte partilhar ainda mais informação! Posso é desde já garantir que o estado vazio do frigorífico não tem nada a ver com o estado económico dos estudantes (e do estúpido valor a que está a libra), é só um estudo enriquecedor sobre a fome do mundo - porque só a percebe realmente quem passa por ela! Ah, e a falta de luz no corredor é obviamente uma homenagem ao Benjamim! Sem poder deixar de referir que a montanha de pratos sujos na cozinha tem óbviamente a ver com a nossa próxima experiência de comprovação da eficácia de uma gotinha de Fairy...

E, enfim, ainda há quem tenha a real lata de chamar a isto desarrumação...!

É só importante relembrar que todas as experiências são efectuadas sob a vigilância de pessoal especializado, pronto a intervir em caso de catástrofe. Não é nada, mas é de acreditar que é mesmo nada, aconselhável experimentar isto em casa...

Saturday, February 10, 2007

se há escolhas, que seja eu a escolher!

Odeio escolhas. E não me importo que digam que as escolhas são a parte mais importante das nossas vidas, ou que temos sempre que escolher alguma coisa, ou até mesmo que a nossa sem vida sem escolhas não faz sentido. Odeio escolhas, pronto! É assim tão mau?

Não gosto de ir ao restaurante e escolher aquilo que vou comer, não gosto de conflitos amorosos em que chega a uma altura em que tem que haver uma decisão, não gosto de escolher aquilo que vou querer fazer até ao fim dos meus dias, não gosto de decidir aquilo que vou fazer para jantar, não gosto de decidir se vou ou não finalmente passar a roupa a ferro, não gosto de ter de escolher que partido é que eventualmente vou ter de tomar numa discussão entre amigos, não gosto de enfrentar a escolha entre fazer aquilo que estão à espera que eu faça, e fazer aquilo que quero! Enfim, não gosto de escolhas!

O mais irónico da questão é contudo que, à parte do restaurante, e pronto, o que fazer para jantar, e mesmo aí há muitas excepções, não gosto que escolham por mim!

É desgastante, e frustrante, termos de decidir aquilo que vamos fazer. Decidir que não queremos voltar para “casa” e que vamos subitamente mudar de continente, de vida, de tudo, porque simplesmente é preciso! Decidir que afinal escolhemos o curso errado, e chegou a altura de voltar atrás e fazer uma nova tentativa! Decidir que fomos efectivamente incorrectos com um amigo, e temos de lhe pedir desculpa! Decidir que não passar os pijamas porque eles vão ficar necessariamente encorrilhados é demasiado “last season”, e que temos finalmente que pegar no ferro!

Mas pior que decidirmos isto, é enfrentarmos as nossas decisões, por mais pequeninas que elas sejam! Sim, porque até decidir que queremos começar a passar os pijamas dá trabalho, pegar no ferro, perder tempo com isso, e perceber que passar a ferro até tem alguma ciência! Enfrentar os pais quando lhes “pedimos” para não voltar para casa, e deixar tudo para trás, porque é preciso ficarmos a saber se somos capazes ou não, e arriscar tudo, e até mesmo em alguns casos “ter mais olhos que barriga”, e não se saber mesmo como é que se vai chegar ao fim daquele ano sem pais, sem os amigos que conhecíamos, sem a “casa” é complicado. Ter a coragem de voltar ao primeiro ano, embarcar num curso que ninguém percebe bem, e é tudo muito confuso, e indefinido, e ter pela primeira vez de sentir o peso da responsabilidade associado a todas as escolhas importantes. Sermos capazes de sair da nossa pequena “bolha” e compreendermos que às vezes também estamos errados, e às vezes mesmo naquelas pequenas coisas que se calhar aparentemente não têm importância nenhuma, um amigo tem de saber estar lá e pedir desculpa.

E quando vamos a meio das decisões e parece que nada corre bem? Quando o pijama afinal estava demasiado seco, e as encorrilhas não saem, e ninguém passa nada a ferro e por isso não há aparentemente solução para o problema?! Quando julgamos que o pior seria enfrentar os pais, e conseguir a confiança deles para sair de casa, mas afinal o problema está mesmo em subir aquela montanha que parece nunca mais acabar, e já não conseguimos pensar em mais nada senão desistir, porque chegar ao fim parece definitivamente impossível?! Quando afinal ter de compreender casos em inglês arcaico se prova mais difícil do que aquilo de que era esperado, e é preciso mais trabalho, e mais dedicação, e ainda mais estudo, e tudo aquilo que se calhar neste momento nem estaríamos dispostos a dar, porque às vezes já não temos mesmo mais por onde dar, mas o peso da responsabilidade está sempre lá para nos pôr um peso na consciência?! E quando vamos a meio do discurso e descobrimos que, e agora que verbalizamos, o assunto era bem mais sério e o pedido de desculpas bem mais difícil?!

Mas no fundo, e apesar de nem tudo correr bem pelo caminho, há muitas coisas que vão ajudando, e alguma coisa de boa irá eventualmente resultar. Mesmo que não seja há primeira que o pijama fica passado a ferro, as probabilidades de tudo resultar numa próxima são efectivamente maiores. Mesmo que não haja pais, nem os amigos que conhecíamos ali ao lado, há novos amigos, e velhos amigos que vão ficar sempre lá, e familiares que nos surpreendem, e trabalho, sim, muito trabalho, mas também quem motive e nos mantenha confiantes nos objectivos. Mesmo que o inglês arcaico não seja simpático, há sempre a convicção de que a escolha foi nossa, e que alguma coisa de boa há-de eventualmente sair dali! E quanto aos amigos, por mais difícil que seja, mais tarde ou mais cedo são sempre eles que estão lá para nos dar a mão.

E ao fim do dia, quando o desafio foi cumprido, e a decisão já teve a importância que tinha de ter, é bom olhar para trás e ver que nem tudo foi mau. É bom sentir que fomos donos de nós próprios, e que tomamos as nossas decisões, e que nos mantivemos por elas e defendemos as nossas convicções, e acima de tudo fomos nós. E mesmo que algumas delas tenham sido mal tomadas, e outras pudessem ter sido melhores, há sempre aquelas que nos deixam orgulhosos e reconfortados. E continuo sem gostar de tomar decisões, mas já que é facto que elas existem, vou querer ser eu a toma-las! E tenho a certeza que, um dia, só o simples facto de puder olhar para trás e respirar fundo no fim de uma nova tarefa, vai valer a pena!

Até lá, visto as minhas calças de pijama encorrilhadas, e regresso à minha dissertação de “direito contratual”, sem nunca negar que mal posso esperar pelo dia em que vou olhar para trás e pensar: consegui!

Thursday, February 08, 2007

Ao teu segredo

Eu tenho um segredo.

Tenho um segredo que não é meu, nem devia estar comigo, mas deram-mo para guardar e eu agora não sei o que faça com ele.

Não gosto de segredos. Não gosto de ter segredos. Não devias confiar em mim um segredo, simplesmente porque eu não o quero. Fica com ele! Podes-mo dar, talvez um dia, quando ele já não for segredo.

Se é um segredo, é porque tu não queres que se saiba, e se tu não queres que se saiba, é porque é alguma coisa que não se deve saber, e se não se deve saber o que te faz crer que eu o quero? Mas pior que ele ser segredo, é saber do segredo. Se eu não soubesse dele, e tu nunca mo tivesses dado para eu guardar, hoje era um eu muito mais feliz, e sem segredo.

Acho que vou começar a delinear a minha vida antes do segredo e depois do segredo. Não que antes do segredo a minha vida fosse extraordinariamente diferente de depois do segredo. Não que antes do segredo eu soubesse alguma coisa que não saiba depois do segredo. Não que antes do segredo eu quisesse alguma coisa que não quero depois do segredo. Mas ao menos antes do segredo, eu não tinha que olhar para ti todos os dias e pensar, “eu sei o teu segredo”.

Porque há segredos que não se contam sabias? Há segredos que são segredo porque se todo o mundo soubesse deles, ia entrar em desatino, e ninguém quer um mundo desatinado! Há segredos que se não fossem segredo, iam deixar alguém triste, e alguém feliz, e alguém indiferente, e alguém constrangido, e alguém revelado. E será justo revelarmos alguém que não quer ser revelado?

Eu não queria saber do teu segredo. Não queria mesmo. E agora que sei do segredo que não queria saber, sei que todos os dias me vou deitar a pensar que o segredo está lá, e sei que todos os dias o segredo me vai lembrar que ainda está lá, e sei que quando o segredo adormecer é só para depois acordar e me relembrar que ainda lá está.

Eu não queria saber do segredo que tu me quiseste contar. Mas se me quiseste contar o segredo, mesmo que se calhar não fosse teu o segredo para mo contares, eu vou respeitar isso, e vou dizer ao segredo que eu preciso de ser eu para além do segredo, e sei que um dia ele vai perceber isso.

Desculpa. Desculpa não querer o segredo que tu tão desesperadamente me quiseste contar. Desculpa não conseguir compreender o segredo, deve haver segredos que são mesmo assim, incompreensíveis. Desculpa não conseguir desculpar ao segredo o facto de ele existir.

Talvez um dia...

Wednesday, January 31, 2007

"Perfect"

“Sometimes is never quite enough
If you're flawless, then you'll win my love”

Não te peço nada a não ser que sejas aquilo que não és. Não te peço nada a não ser que sejas o melhor em tudo aquilo que fazes. Não te peço nada que não seja a tua única obrigação na vida. Não te peço nada que já não estivesses à espera. Não te peço nada a não ser aquilo que quero ver feito.

“You've gotta try a little harder
That simply wasn't good enough
To make us proud”

Não há espaço para deslizes. Não são compreensíveis inseguranças. Não existe nada impossível. Não podes desistir. Pensas que é só temporário, há-de haver uma altura em que estás responsável por ti, essa ideia reconforta-te. Mas, e desde o momento em que escolhes o caminho que queres seguir, e especialmente a partir da altura em que tentas assumir o controlo da tua vida e separar-te de tudo aquilo que impunham sobre ti, desde o momento em que tentas fugir a convenções e expectativas, apercebes-te que estás demasiado preso a tudo isso para te deixares ir. As expectativas não são controláveis, e desde o momento em que expectativas são criadas falhar é inaceitável. E se por acaso falhas?

“Don't forget to win first place
Don't forget to keep that smile on your face”

Não falhas. Tu não falhas. Não foste feito para falhar. Se há alguma coisa que uns escassos anos de vida te conseguiram ensinar é que não há lugar para falhas.

“I'll live for you
I'll make you what I never was
If you're the best, then maybe so am I
Compared to him compared to her
I'm doing this for your own damn good
You'll make up for what I blew”


Falhei. E agora? E agora vive com o facto de que tudo aquilo que os outros esperavam de ti, passou a ser aquilo que tu achas aceitável para ti. E agora aprende a viver com a desilusão. Ego? Autoconfiança? Chama-lhe o que quiseres. Construíste um mundo de expectativas à tua volta, construíste tudo aquilo de que estás desesperadamente a tentar livrar-te de, a culpa é tua. Não queres alimentar esperanças, não queres cultivar expectativas, mas vives para elas.

“We'll love you just the way you are if you're perfect”

Não consegui. Não deu. Acontece. Ainda estás aí? Quero os meus sonhos, e as minhas próprias expectativas, e viver bem comigo, e aprender a viver com pequenas falhas, e saber as coisas a que eu quero realmente estar à altura de, e viver a vida por aquilo que eu sempre quis, e não ter medo que já aí não estejas se eu falhar.

No fundo, sei que este momento é o ideal para me começar a livrar de tudo aquilo que construí. No fundo sei que chegou a altura de te enfrentar. Mas agora, e enquanto espero pela coragem que parece tardar a chegar, reconforta-me a ideia de, aconteça o que acontecer, eu ir ter sempre os meus separadores transparentes.

30.

Monday, January 15, 2007

Simplesmente Independente

O independente é aquele que não se importa.

O independente é aquele que finge que não sente a falta, que não tem saudades, que não gosta de ninguém o suficiente para derramar uma lágrima em caso algum.

O independente não precisa de afecto, de atenção, de amigos, de confidentes, de ninguém.

O independente é arrogante, é altivo, é enfim, independente.

E o triste é pensar que no fundo somos todos uns pseudo-independentes! Porque ser independente é que é socialmente aceitável.

É independente aquele que vive em casa dos pais até mais não, mas sai sempre que quer, até tem carro veja-se bem, e trabalha, e sustenta-se, e tem amigos mas não depende deles, e até é capaz de ter um namorico qualquer (mas nada que lhe tire o sono porque é, enfim, independente).

É independente aquele que acha que tudo o que é “fashion” é mau e por isso intitula-se de “alternativo”. Tem a mania que o preto é que não está na moda, e por isso é a única cor a ser usada. É anti-social, mas dá-se com todos aqueles que se auto-intitulam de anti-sociais porque isso sim é que é ser-se independente. Não gostam de ninguém, não dependem de ninguém, são genuinamente independentes.

É independente aquele que foi estudar para fora e já não vive em casa dos pais. Tem amigos porque viver fora de casa requer arranjar-se alguém com quem viver. Sai a noite, e é social, e conhece muita gente, mas depender de alguém? Jamais! É independente porque já não vive em casa, e isso sim é a independência!

Somos um bando de mascarados!

No fundo dá vontade dá gritar ao mundo que dependemos de alguém, que se não são os nossos pais, é o namorado, se não é o namorado é a amiga, se não é a amiga é o irmão, ou o primo, ou o que lhe quiserem chamar. É alguém. Todos precisamos de, pelo menos, alguém.

Mas não é socialmente aceitável termos saudades de todos os amigos que fomos perdendo pelo caminho, e mesmo que tenhamos saudades deles, não é socialmente aceitável exteriorizar tal sentimento. E porquê? Porque somos todos perfeitamente Independentes!

Deixa-te de coisas, torna-te Independente!


...e provavelmente nunca hás-de ler isto...logo tu, mascarado por excelência num meio em que tudo o resto é aniquilado!...

Monday, December 11, 2006

Ao meu pequenino e insignificante passado


Não foi uma tarde nada romântica, nem com nenhum cliché em especial, não chovia nem estava de noite, nem nada mesmo(!), mas foi nessa tarde que o meu pai se lembrou de se sentar ao meu lado e contar-me que nos iamos embora. Lembro-me de tudo, desde onde é que ele se sentou até aquilo que ele disse, apesar de na altura não ter percebido bem o porquê de tanto nervosismo, e tentativa de convencer alguém que já estava mais que convencida. Sim, porque eu tinha lá estado quando a minha mãe atendeu o telefone amarelinho e lhe disseram que “devido à sua polivalência” ela tinha sido aceite na escola lá do outro lado do mundo, e com tanta felicidade como havia eu de não ter ficado contagiada? “Já viste como vai ser giro dizeres aos teus amigos que já moraste na China?”. Na altura não percebi mesmo porque não estar outra coisa senão feliz porque ia mudar de país, mas na altura também ainda ninguém me tinha dito que os amigos não são eternos.

Lembro-me bem dos últimos momentos na santa terrinha, especialmente do fazer a mala, empacotar “Nenucos” nus, a única mochila com brinquedos que eu podia levar, o boneco que ficou comigo, e, nunca soube bem porquê, a ultima reprimenda que a minha professora da terceira classe me deu: “andas para aí a a embirrar com a tua amiga, mas vais ver que quando te fores embora ela vai ser dos únicos amigos que tu vais continuar a ter”. Secalhar foi porque eu estava convencida de que ia ficar com todos, ou mais provavelmente porque era uma coisa um bocado brutal para se dizer a um “puto”, mas a verdade é que na altura marcou-me a ponto de eu nunca mais me ter esquecido.

Passou-se a minha festa de despedida, umas ferias na terrinha, festas de anos, mais despedidas de amigos, mais amigos, enfim... dez anos. Ao fim de tantos anos fui aprendendo que era normal as pessoas perderem o contacto umas com as outras. Não sei se os meus “ex-amigos” ainda se lembram de mim com a nitidez com que eu me lembro deles, mas é claro que para mim tê-los perdido a todos foi um choque muito maior do que a eles, que se tinham uns aos outros, me terem perdido a mim.

Anos depois, quando já tinha passado o tempo em todo o lado, menos na minha cabeça, decidi voltar a minha escola de quando era pequenina. E não é que tinha mudado tudo? Muitos professores já lá não estão, os que lá estão ficaram mais velhos, as salas são minúsculas, a gigi (a cadela irritante “filha” da dona, e melhor professora, da escola) tinha morrido, o refeitório gigantesco encolheu e o palco que havia no meio do jardim está irreconhecivelmente pequeno. Foi triste, mas acima de tudo nostálgico ter voltado lá, especialmente porque, nem mesmo dez anos depois eu tinha desligado daquele sítio. E foi com essa visita que morreram todas as minhas esperanças de voltar a encontrar algum amigo de infância. Achei finalmente que, tal qual a escola que tinha envelhecido e mudado sem mim, também os meus “amigos” tinham de certeza feito o mesmo.

Depois disso lá fui falando com um via internet, e lá encontrei mais um ou dois colegas que acharam graça falar com “aquela pessoa que se tinha ido embora, sabe-se lá porque, aos oito anos e desapareceu do mapa”. Ao fim de tantos anos, depois de duas linhas de conversa é natural que “o tempo” comece logo a ser uma boa sugestão de conversa, e um “então depois vai dando notícias” apropriado, visto que as pessoas mudam tanto, e vão por caminhos tão diferentes que já não há nada, ou quase nada, que fique.

Tenho genuinamente saudades de todos os amigos que fui perdendo, ou porque eu me fui embora de Portugal, ou porque eles se vieram embora de Macau. Tenho saudades de muito momentos que passei com eles, mas também tenho noção que tenho saudades das pessoas que eles eram na altura e de quão bem o “eu” da altura se dava com eles. Secalhar se os re-encontrasse a todos, poucos seriam aqueles com quem eu ainda me indentificaria. Mas, bem ou mal, gosto do meu pequeninissimo, quase insignificante mesmo, passado.

Thursday, December 07, 2006

Só nas Inglaterras...

“Quer dizer, é que é do conhecimento geral que o povo inglês é extremamente elitista, e, não estando de forma alguma a argumentar o contrário, também é verdade que têm a mania que são os melhores em tudo e que só o que eles fazem é que está muito certo. Basta ver que os professores se referem a Inglaterra, e à Europa (como se fossem duas coisas perfeitamente distintas)”

Esta frase não teria muito mal dita assim em lado nenhum que não fosse em Inglaterra, a um professor nitidamente british. Passando à contextualização temos qualquer coisa como:
Um professor muito british: branquíssimo, pele tão extremamente de bebé que até mete impressão, altamente “posh”, britânico até à última pontinha dos seus cabelinhos brancos. Sim, porque leia-se que quando eu digo “posh” refiro-me aquele género de fatinho desengonçado (sempre sem gravata, que inglês que é inglês não se dá a essas vulgaridades), camisa às riscas, e botões de punho (variados!). Para além deste contexto geral é só uma figura bastante importante aqui nas Inglaterras, chegando mesmo a ir partilhar opiniões com a “House of Lords” (o tribunal mais importante aqui do sítio). Tirando isto, só dá para acrescentar que é o meu actual ídolo e bebe muita coca-cola diet!

Portanto depois de esta imagem de fiel nacionalista, é espantoso como a resposta à minha afirmação convicta de quem sabe muito da matéria foi simplesmente:
“Não Marta, não fico de maneira alguma ofendido, alias até gostava de explorar esse teu ponto para perceber se realmente tem algum fundamento, ou se somos mesmo nós que nos afundamos na nossa própria estupidez”

Saí da sala, e caiu sobre mim aquilo que eu tinha acabado de dizer. Respirei fundo e lembrei-me que por algum motivo chamam ao sistema inglês um dos mais avançados da Europa, quem sabe até mesmo do mundo.